Ondulações no espaço-tempo criadas por buracos de minhoca nos levam a outros universos
21 maio, 2019
Em junho de 2018, uma equipe de físicos explorou a possibilidade de que os buracos negros que ‘observamos’ na natureza não são nada disso, mas sim algum tipo de objetos compactos exóticos (de sigla em inglês, ECOs) que não têm um horizonte de eventos.

Pablo Bueno, da KU Leuven University (Bélgica), disse:
Os buracos de minhoca não têm um horizonte de eventos, mas atuam como um atalho espaço-temporal que pode ser atravessado; uma espécie de garganta muito longa que nos leva a outro universo.Os cientistas deduziram a existência de buracos negros a partir de uma infinidade de experimentos, modelos teóricos e observações indiretas, como as recentes detecções do LIGO, que se acredita terem origem na colisão de dois desses monstros gravitacionais escuros.
A confirmação de ecos nos sinais LIGO ou Virgem seria uma prova praticamente irrefutável de que buracos negros astrofísicos não existem. O tempo dirá se esses ecos existem ou não. Se o resultado for positivo, seria uma das maiores descobertas da história da física.
Os pesquisadores espanhóis Pablo Bueno e Pablo A. Cano, da KU Leuven University (Bélgica), explicam:
A parte final do sinal gravitacional detectado por esses dois detectores – o que é conhecido como ringdown’ – corresponde ao último estágio da colisão de dois buracos negros, e tem a propriedade de se extinguir completamente após um curto período de tempo, devido à presença do horizonte de eventos.Esta possibilidade tem sido explorada teoricamente por vários grupos e tentativas de análises experimentais usando os dados originais do LIGO já foram realizadas, mas o veredicto é inconclusivo.
No entanto, se não houvesse horizonte, essas oscilações não desapareceriam completamente; em vez disso, depois de um certo tempo, eles produziriam uma série de ‘ecos’, semelhante ao que acontece com o som em um poço. Curiosamente, se em vez de buracos negros, tivéssemos um ECO, o ‘ringdown‘ poderia ser similar, então precisamos determinar a presença ou ausência dos ecos para distinguir os dois tipos de objetos.
A equipe da Universidade KU Leuven, na qual o professor Thomas Hertog também participou, apresentou um modelo que prevê como as ondas gravitacionais causadas pela colisão de dois buracos de minhoca rotativos seriam detectadas.
Os sinais de ondas gravitacionais observados até agora são completamente extintos após alguns instantes, como consequência da presença do horizonte de eventos. Mas se isso não existisse, essas oscilações não desapareceriam completamente; em vez disso, depois de algum tempo, haveria ecos no sinal, que podem ter passado despercebidos até agora devido à falta de modelos ou referências teóricas com as quais comparar.
Segundo o estudo, publicado pela Physical Review D, os gráficos obtidos com o novo modelo não diferem muito dos registrados até o momento, exceto pelos ecos, que funcionam como um claro elemento diferenciador.
(Fonte)
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