O código do Manuscrito Voynich NÃO foi decifrado … ainda
20 maio, 2019
Com já publicado antes, o Manuscrito Voynich tem confundido peritos do mundo todo. Porém, na semana passada, alguém disse ter finalmente decifrado esse misterioso documento. Mas será mesmo que conseguiu?

Passei por uma série de momentos ‘eureka’ enquanto decifrava o código, seguido por uma sensação de descrença e entusiasmo quando percebi a magnitude da conquista, tanto em termos de sua importância linguística, quanto nas revelações sobre a origem e o conteúdo do manuscrito.
Isso
foi o que Dr. Gerard Cheshire anunciou na semana passada, dizendo que
levou apenas duas semanas para decifrar o código do misterioso
manuscrito Voynich – um códice ilustrado medieval escrito em uma
linguagem indecifrável que confundiu os criptógrafos (o lendário Alan
Turing tentou, sem sucesso, decodificar o manuscrito desde sua
descoberta, e também Wilfrid Voynich, que obteve o códice em 1912 e
popularizou-o o suficiente para tê-lo marcado com seu nome em “The Language and Writing System of MS408 (Voynich) Explained,”
(“O Sistema de Linguagem e Escrita do MS408 (Voynich) Explicado”).
Cheshire afirma que o documento está escrito em proto-romance, um
ancestral extinto das línguas românicas (português, espanhol, francês,
italiano, romeno, etc.) e ele foi capaz de traduzir o suficiente do
documento para determinar que foi “compilado por freiras dominicanas
como uma fonte de referência para Maria de Castela, Rainha de Aragão”.
Desculpe, pessoal, “linguagem proto-românica” não existe. Isso é apenas mais um disparate aspiracional, circular e auto-realizável. – LIsa Fagin Davis, PhD

Ela disse:
Como a maioria dos intérpretes Voynich, a lógica dessa proposta é circular e aspiracional: ele começa com uma teoria sobre o que uma série em particular de glifos pode significar, geralmente por causa da proximidade da palavra a uma imagem que ele acredita poder interpretar. Ele então investiga qualquer número de dicionários medievais de língua românica até encontrar uma palavra que pareça se adequar à sua teoria. Então ele argumenta que, porque encontrou uma palavra em linguagem românica que se encaixa em sua hipótese, sua hipótese deve estar certa. Suas “traduções” do que é essencialmente sem sentido, um amálgama de múltiplas linguagens, são elas mesmas aspiracionais ao invés de verdadeiras traduções.Davis explica suas dúvidas à Ars Technica e apontou que a ideia de uma linguagem proto-românica “é completamente infundada, Como são as ligações de Cheshire entre certos glifos e certas letras latinas”.

“Uma das razões pelas quais o manuscrito Voynich é tão atraente é por causa de linguagens como hieróglifos e linear B, que foram decifradas. Mas eles não surgiram do nada, foram décadas em desenvolvimento e atraíram muitos especialistas acadêmicos diferentes. Você não pode simplesmente ter uma pessoa dizendo: “Eu a decifrei”. Você tem que ter o campo, no geral, concordando.
Greg Kondrak, professor de ciência da computação na Universidade de Alberta, que também tentou quebrar o código Voynich, aponta que as origens românicas de algumas das palavras do manuscrito são bem conhecidas há algum tempo:
Com relação à decifração dos símbolos individuais, várias pessoas criaram um mapeamento para as letras latinas, mas esses mapeamentos raramente concordam uns com os outros, ou com essa proposta.Finalmente, J.K. Petersen, detentor do Portal Voynich, resume seus problemas com a alegada quebra do código:
Mas tenho dificuldade em aceitar a tradução em sua forma atual porque:Algumas coisas são certas neste ponto: há MUITAS pessoas interessadas em decifrar o código Voynich, um grande número trabalhando para verificar os decodificadores do código e as tentativas e desmistificações estão destinadas a continuar.
* há muitas combinações de palavras sem sentido, quase não há gramática,
* a distribuição das letras é bem diferente das línguas românicas (seria necessário um blog inteiro para discutir esse aspecto do texto, mas tome 4 como um exemplo, que quase exclusivamente está no início dos tokens – Cheshire o relaciona com ‘d’ e ‘9’, que está geralmente no final e às vezes no começo, mas quase nunca no meio, o que ele designa como “a”),
* as palavras ainda correspondem aos desenhos se os desenhos são interpretados de forma diferente (o que significa que a relação ainda não está provada),
* algumas das “palavras” transliteradas não mostram qualquer relação com estruturas de palavras românicas (e o autor deixou de explicar como palavras não-românticas específicas foram derivadas), e
* as mesmas palavras (por exemplo, “na”) são algumas vezes interpretadas de forma diferente.
É melhor que discutir sobre política, não acha?
(Fonte)
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